A fala do vereador de Madre de Deus, na região metropolitana de Salvador, Juscelino Silva (SD), provocou uma polêmica entre os colegas da bancada evangélica na sessão da última terça-feira (16), na Câmara de Vereadores. Tudo começou quando a vereadora Joyce Lima (Republicanos), pediu que seus colegas votassem a favor do projeto que inclui os templos religiosos como serviços essenciais no período de pandemia. A vereadora justificou o pedido lendo o Artigo 5ª da Constituição Federal, inciso 4º, quando fala do direito de livre expressão e livre culto religioso, além de argumentar sobre a importância dos locais sagrados para a comunidade madredeusense.

O vereador Juscelino disse que aprovaria o projeto, mas teria que colocar a emenda. “Eu aprovo o projeto de vossa excelência aqui nessa Casa, agora vou dá uma adendo a você que vou colocar uma emenda, nesse tempo de pandemia também que todos os dízimos que forem arrecadados nas igrejas se tornem em cestas básicas para população. Depois da pandemia pára, não tem problema nenhum. Eu entendo dessa forma: todos têm que dá uma parcela de contribuição e não é só o gestor público”, provocou.
A autora do projeto não deixou barato e rebateu a fala do colega parlamentar. “Eu quero deixar bem claro para o vereador Juscelino que as igrejas e os templos religiosos, independente, de qual for à religião já faz um trabalho dentro do município sem qualquer indicação de ninguém. Se o senhor for às igrejas evangélicas, nos templos religiosos, quantos munícipes já receberam cestas básicas?”, questionou.
A vereadora Joyce continuou rebatendo o colega edil. “Eu queria dizer ao vereador que em relação aos dízimos e as ofertas que ele lembre que as igrejas daqui pagam aluguel, pagam água, pagam energia e elas não são isentas de impostos. Eu gostaria de dizer ao vereador Juscelino que as igrejas não têm acordo nenhum com o governo. As igrejas fazem seu trabalho muito antes da pandemia”, encerrou.

O pastor Melquisedeque (SD) também não gostou da declaração do colega de partido e disparou: “ As pessoas pensam que a igreja é só um espaço para os crentes cultuar e um espaço para pedir dinheiro. Nós somos massacrados por isso e acho que ninguém pode legislar em cima dos recursos da igreja, principalmente se não dizima lá. Se seu dinheiro não está sendo dizimado lá, então você não pode falar dos recursos da igreja. Vamos parar com isso. Mexa comigo, mas não mexa com minha igreja. Se mexer com a igreja acabou o amor, acabou a amizade”, afirmou.
