Foto: Alberto Maraux / SSP-BA
” É sempre bom compreender que não foi um desfecho imaginado”. Essa foi a avaliação feita pelo Coordenador de Assistência Psicológica da Polícia Militar, o tenente-coronel Honorato, que também conduziu a negociação com o soldado Wesley Soares Góes, em frente ao Farol da Barra, no último domingo (28)
“ Sempre aprendemos. Estamos avaliando e discutindo. A cada ocorrência paramos, avaliamos. Cheguei um pouco antes do Bope, às 14 horas. Tentei me aproximar do Wesley algumas vezes, sem sucesso. Atuei muitas vezes com policiais em surtos. Até imaginei que fosse alguém que tivesse contato, que já tivesse procurado o setor. Chegando lá, não existia ainda a identificação de quem seria”, comentou ao Bahia Notícias.
De acordo com o tenente-coronel, a identificação do soldado ocorreu durante a ocorrência. “Tentei me aproximar e policiais que também conduziam a ação pediram para não chegar perto por ele estar muito nervoso. Isso me causou uma perplexidade. É um ambiente aberto e perímetro grande. Ficou difícil um diálogo. Conseguimos um megafone, e mesmo com ele não se atentava ao contato”, disse.
Honorato, que também é psicólogo, explica que existem três tipos de surtos. “Quando falamos em surto psicótico existem três dimensões: ordem pessoal, luto, estresse; tem uma questão psicossomática, vem de alguma disfunção corporal e tem a questão do surto com o efeito fanático político e religioso”.
A todo o momento a equipe tentou traçar o perfil de Wesley. Além disso, pessoas próximas do soldado foram contactadas para tentar mapear questões que pudessem ter sido motivadoras do ataque.
“Contactamos a família, a irmã, o comandante dele para entender o perfil e o que teria ocorrido. Tentamos angariar dados. Nada foi relatado de anormal. Foram boas referências. Não havia um fato visível e norteador sobre o soldado. Não foi percebido nem pelo comando. Tivemos que a partir desse cenário aberto, pensar em alternativas”, explicou.
O tenente-coronel ressaltou que Wesley não atendia aos chamados e teria dado “importância para a comunicação” com os negociadores. “A cada meia hora ele disparava para o alto. Tínhamos medo dele atirar em alguém, pois a região é muito aberta. Ele atirou para o local onde estavam os policiais e atrás, na rua, estavam populares e a imprensa. O resultado foi uma reação. Não foi o que queríamos”.
Fonte: B Notícias
