Ainda tá dando o que falar a reforma administrativa enviada pelo prefeito de Madre de Deus, na Região Metropolitana de Salvador, Dailton Filho (PSB), para a Câmara de Vereadores e aprovada por 5 votos à favor na última sessão, realizada na terça-feira (20).
No projeto, o prefeito aumenta o número de secretarias e coloca mais dois setores com status de secretaria que é o caso de Chefe de Gabinete e a Superintendência de Controle e Uso do Solo (SUCOM). No total, Madre de Deus passa a ter 18 secretarias e 5 com status.
Os vereadores de oposição Adailton do Suape (PCdoB), Michele Paz (PSD), Jodiane Alves (PTB), André da Limpeza (PSD) e Renato de Martins (PSD), não desceram para o plenário no dia da votação, o que gerou fortes comentários na cidade, já que o motivo até então não havia sido revelado.
Na tarde desta sexta-feira (23), numa entrevista coletiva, os vereadores explicaram o motivo da ausência no dia da votação. “Alguns aqui são mais experientes que outros, mas ninguém aqui é técnico. Nós precisávamos de tempo para estudar a proposta com nosso corpo jurídico, mas eles mandaram a reforma e na sessão seguinte já colocaram para apreciação. Quando fomos debruçar sobre a reforma observamos que o povo de Madre de Deus será extremamente prejudicado”, disse o líder da oposição Adailton do Suape.
A vereadora Michele criticou a reforma dizendo que o salário de até oito pessoas será dado a apenas uma. “Sinto dizer a vocês, mas vou dizer em alto e bom som: precisamos ter cuidado como iremos explicar isso às famílias de Madre de Deus, todos precisam trabalhar e é inadmissível a gente ver famílias deixando de ser oportunizadas com salário mínimo, enquanto que 8 vezes esse valor será unido para beneficiar apenas uma pessoa”, lamentou. Michele também criticou a criação das novas pastas. “Não é só o salário do secretário e seus assessores, mas toda uma estrutura como carro, combustível, imóvel e etc”.
De acordo com o documento do executivo , cerca de 100 cargos serão extintos o que levaria, segundo o governo, a uma redução de pouco mais de 15% da folha de pessoal. O argumento não convenceu o vereador André da Limpeza. “Fiz uma conta rápida com a extinção desses 100 cargos por o acréscimo de valores das novas secretarias e cargos de confiança, o resultado é que não vai haver redução nenhuma e só vai tirar do pobre para entregar ao rico”, analisou.
O vereador Renato de Martins disse que não é fazer oposição por fazer, mas fiscalizar as ações do executivo e buscar os interesses do povo. “O que a gente tá preocupado é que gere emprego e renda para o município e não tirar do pobre para entregar aos ricos. Então precisamos olhar pelos mais necessitados e o projeto não passa por esse aspecto, por isso nos ausentamos na votação e agora estamos dando esse retorno aos madredeusenses”, frisou.
Os vereadores disseram que o prefeito ainda não sancionou o projeto, mas assim que isso acontecer vão buscar todas às ferramentas para defender o povo. Além dos citados, estiveram presentes a presidente do PCdoB municipal Mirian Alves, o presidente do PSD Municipal Valdeni Noronha e demais lideranças políticas.
