Glaydiane Ferreira, 35, foi uma das primeiras a chegar, na última quinta-feira (7), ao Instituto Amigos da Periferia, uma ONG no conjunto Jorge Quintella, bairro do Benedito Bentes, em Maceió. Assim como outras famílias, ela está cadastrada na instituição e recebe semanalmente doações de ossos de boi e peles de frango, vindas de açougues do mercado público da capital alagoana.
Ela vive apenas da renda do Auxílio Brasil e do programa Cria, do governo estadual. Dá cerca de R$ 550, ao todo. Glaydiane mora com o marido e mais três filhos e não se lembra de quando conseguiu comprar carne para cozinhar para a família. “Hoje é tudo mais difícil. Com esse governo, a gente tem de comer osso e pele doado ou passa fome mesmo. No passado, a gente comia carne, mas hoje não tem como comprar, com os preços em que estão”, diz Glaydiane Ferreira.
Ela conta que usa a ossada para dar corpo à sopa ou ao feijão do dia a dia. Já a pele serve de proteína para alimentação.
Erick dos Santos, 19, também foi à ONG pegar os alimentos doados. Ele mora com a avó e o marido dela. Vai ao instituto para buscar as doações para sua casa e a de uma tia que mora ao lado. “Isso aqui dura uma semana, são poucas pessoas”, diz ele, mostrando duas sacolas cheias de ossos e peles.

(UOL)
