Finalmente a espera acabou. Neste domingo (12), acontece o retorno do tradicional desfile do bloco “Toma Sopa”, em Madre de Deus, na Região Metropolitana de Salvador, dando o pontapé inicial para o carnaval Confete e Serpentina que começa na próxima quinta-feira (16), na cidade. Por conta da pandemia do novo coronavírus, o bloco ficou sem sair por dois anos.
Como de costume, o maior bloco da cidade será puxado por fanfara entoando músicas de antigos carnavais, trazendo também centenas de foliões que alegraram as principais ruas da cidade com fantasias criativas e porque não dizer: sensuais.

São esperados personagens famosos como Chaves, Irmão Mário, Superman, Mulher Maravilha, Batman, Mulher Gato, entre outros que sempre marcam presença na folia. Mas novidades sempre aparecem no Toma Sopa: “sorvete”, “dama de balões”, “rei da noite”, “as legítimas”, isso sem falar das frases de duplo sentido que rolam soltas pela festa.
O bloco deve sair da concentração, na Praça Pedro Gomes a partir das 09h.
CONFIRA A ENTREVISTA REALIZADA PELA PREFEITURA COM A IDEALIZADORA DO TOMA SOPA EM 2013
Eloina Pitangueira, é natural de Madre de Deus, nasceu em 1933, são anos de muita história para contar.
Dona Eloina, como surgiu o Bloco Toma Sopa?
Tudo começou com uma brincadeira de famílias. Por volta das 17 horas, as famílias Pitangueira e Pinheiro se reuniam aqui ao lado, no muro da casa de minha mãe para beber e consequentemente não ir para a rua. Lembro bem do Gabino, Zoio, Vital, Mané….todos reunidos. Enquanto eles bebiam, eu dava sopa para as crianças aqui em casa. Ao longo dos anos, esse costume foi crescendo e de apenas uma brincadeira de famílias, começou a ser marcado pelos desfiles nas ruas da cidade. Fazíamos fantasias de bananeira, folha de bimbim, crepom e até com a violanda das caixas de cigarro. Terminávamos o desfile descendo a rampa da orla e tomando um banho de mar. Era lindo! A tinta do crepom soltava, e o mar em questão de segundos ficava todo colorido.
Por que vocês não iam para rua?
Madre de Deus era bastante tranquila, vivíamos na linha da pobreza, não íamos para a rua porque tínhamos medo das caretas. Na verdade, até hoje eu tenho (risos).
E a charanga, os músicos recebem para participar?
Fico até emocionada para falar desses parceiros, nunca receberam nada. Trabalham no voluntariado e estão sempre a disposição. Deixam até de fazer os eventos deles para cumprir o nosso calendário.
Como acontece a escolha das Rainhas?
Na verdade, hoje chamam de Rainha, mas, chamávamos de porta estandarte. Não é uma escolha, os próprios pais indicam seus filhos. Temos uma procura tão grande que até o ano de 2022 já tem pedidos.
O Bloco tomou uma dimensão muito grande, quem faz a sopa agora?
A família dessas crianças são responsáveis pela organização do evento do próximo ano, inclusive por cuidadosamente montar um grupo para fazer a sopa. Como a responsabilidade é muito grande, nós geralmente buscamos patrocínios e doações da comunidade para a manutenção.
Eloina, que mensagem você deixaria para a comunidade?
Que não deixem nunca essa tradição acabar. Quando me perguntam se o bloco é meu, sempre digo que não, pois de fato, não é. O bloco vive com a ajuda da comunidade e nada mais justo que o bloco seja da comunidade.
Fico feliz em ver o crescimento e o envolvimento dos foliões. A cada ano tem mais pessoas, e nunca registramos nenhuma confusão. Que continuemos assim, e que não percamos a tradição, as roupas recicladas, o crepom e principalmente a alegria em fazer uma festa tão linda.
